Sobre o uso de trinta reais para a ver a exposição do Star Wars, faltou um uso alternativo. É notório que Star Wars é coisa de nerd punheteiro. Então, meu irmão, tira a mão do pau, põe no bolso e, com os trinta caraminguás, pague uma puta barata. Ela pode ser feia e baianinha, mas, pelo menos, é buceta de verdade.
Junho 11, 2008
Europa: mais um se vai
Enquanto o imbecil que vos escreve continua a ser moralmente sodomizado, mas um de seus amigos pega a mala vai “dar um giro” pela Europa. Eu, nem pra lavar pratos consigo ir até Sorocaba, que dirá a Europa! Nesse segundo desfalque do meu quadro de amizades, o que me deixa menos amargurado é que, pelo menos, trata-se de alguém que aproveitará muito bem a viagem, que tem um arcabouço cultural imenso e uma visão de mundo totalmente diferente da preconizada pela classe mérdia.
Então, nesse caso, a inveja converte-se num “boa viagem”.
Maio 26, 2008
Didática prescritiva
Embora a Didática prescreva (sim, prescreve sim) que não há pessoa incapaz de aprender e que a afirmação que “dei aula, mas o aluno não aprendeu” é praticamente impossível do ponto de vista pedagógico, eu digo, afirmo e berro: tem gente que não consegue aprender nada. Há gente que insiste em cursar a escola, fazer cursos de idioma: saem tão lisos quanto entram, não conseguem reter uma vírgula, por mais que o professor se esforce. Bem, digamos que há professores execráveis, que eu os colocaria para limpar êmbolos numa oficina mecânica, mas, o alunato cresce em estultos e imbecis. Deveriam criar porcos ou plantar alface, atividade que requer um grau de concentração menor (não que não requeira). Esse é o problema da democracia de fachada: todo mundo acha que pode tudo. Deveria dar mais atenção aos apelos intestinos. Se não está andando, caia fora e não entupa seu professor – do que quer que seja – de perguntas sem pé nem cabeça.
Maio 13, 2008
Isabela
Não conheço Jesus. Se o conhecesse, juro que já teria pedido para que ele recussitasse a menina Isabela, essa que jogaram de uma janela. Muito bem, é claro que eu tenho coração, não sou nenhum tipo de monstro que se esconde atrás de textos desgraçados. Infelizmente, sou gente também. Penso no sofrimento da família, no que sofreu a coitada da menina. Agora, não agüento mais ouvir a imprensa repetir a mesma coisa milhões de vezes, a imprensa que está “acompanhando” (1) as investigações.
E as pessoas que ficam de plantão na porta das delegacias, gritando histericamente? Que puta-que-pariu é essa? Cadê a polícia para mandar essa gente histérica para casa? A desgraça dos outros não interessa para quem não tem a ver com o peixe. Gostaria muito – leia-se muito, mas muito mesmo! – que o caso Isabela corresse em segredo de justiça, Mas parece que à polícia tem-lhe agradado o furdunço: ficam divulgando endereços, locais de transferência do pai e da madrasta.
“Informação”, vocês me dirão. De coisa boa ninguém quer saber. A dívida externa foi saudada; quando soube disso, morri de vontade de comprar uns rojões. Eis uma notícia boa. Agora não, vem a imprensa que não passa um dia sem falar nessa droga de caso! Notícia boa não vende. Façamos um teste: uma criança ajuda uma velhinha a atravessar a rua. Oh, que bonitinho! Ninguém viu. Agora, se um ônibus pegar os dois, pelo menos o rádio dará uma breve linha. Se um caminhão-tanque pleno de gasolina vier e bater no ônibus, já temos o Datena e seu maldito helicóptero em cima.
É nessas horas que eu grito, para o Jesus que eu não conheço: “Jesus, manda essa turma pròs quintos dos infernos!”.
(1) “acompanhar” é sinônimo de “atrapalhar”? Pois parece…
Maio 5, 2008
Dinheiro bem aplicado
Olha, ganhar dinheiro é difícil, não é? Claro que é! Seus caraminguás que vêm no contra-vale, fora os descontos do governo, do sindicato e de quem mais pode pôr a garra no seu demonstrativo, são mais que suados, se me permitem assim ser franco. Vejo por mim, meus reaizinhos chorados, frutos de oito horas de sofrimento sem vaselina.
Agora, você, proleta assalariado, pega trinta caraminguás. Isso, trinta. Você pode falar: “bah, trinta mangotes não é nada!”. Então passe-os pro meu bolso! Mas, voltando: pega seus trinta merréis. Dá pra tomar muita cerveja, né, nêgo? Alugar um filminho pra ver em casa; até dá pra comprar um livro (vejam só! e dizem que o livro é caro, não é?).
Aí, com trintão na mão, você os pega e com eles paga a entrada na exposição do Star Wars. Trinta paus pra ver uma pancada de lixo bem-ajambrada. É óbvio que se você miguela trinta paus para beber e os gasta com Star Wars, só pode ser sintoma duma mal disfarçada viadagem. Além de ter de disputar espaço com os “jetoscos” falando minúcias da cretina série de filmes, engorda a bunda do George Lucas e saí puto. Vá beber que, pelo menos, o porre é garantido.
Maio 3, 2008
Pós-graduação e suinocultura
“Por que você não vai fazer um mestrado?”. Vejo os imbecis que fazem mestrado. Correm o tempo todo porque a agência de fomento que lhes dá bolsa está por enfiar-lhe no rabo, faz-se tudo correndo, sem tempo para raciocinar sobre, há de “encher lingüiça”, e o tempo é muito exíguo. Prefiro filosofar livre, sem quem me controle a vida e o cérebro. Se queres o curral da pós-graduação, vá lá e chafurda-te na lama; só não venha dizer-me como é bom elamear-se. Qualquer idiota faz mestrado com bolsa sobre qualquer merda, como as pombas vêm atirar-se sobre o milho na praça.
Maio 1, 2008
“Jesus negão”
As pessoas não passam de pedaços de bosta. Não porque exalem cheiro ruim (algumas, de fato, até sim) ou sejam pastosas; falo do excremento moral. O politicamente correto encheu as pessoas de pudicícias merdosas e ridiculas. Outro dia, durante uma aula de Metodologia do Português, as monitoras que davam aula no lugar da professora, usaram uma música do Hermes e Renato (“Jesus Negão”) para trabalhar com ironia e duplo sentido. Pronto, bastou para que parte da sala se sentisse ofendida e um porta-voz da “minoria” começasse a jorrar asnidades. O ruim do politicamente correto é que ele não abre espaço para a auto-ironia e, se continuamos assim, sérios e “não-mexa-comigo-porque-eu-sou-preto”, vamos cair no mar de histeria como os Estagnados Unidos onde crianças de seis anos são processadas por abuso sexual. Cresçamos, povo, e deixemos de chiliques: aí sim, seremos todos iguais.
Essas cousas das dores é tão irritante quanto os descendentes de europeus que se pavoneiam por tal ascendência.
Abril 30, 2008
Sobre a Itália e o escritório
Uma amiga minha esbalda-se na Itália. Não bastasse a inveja que sinto por não poder fazer o mesmo (che brutto!), ainda tomo uma bronca no escritório por causa de telefonemas. Não é suficiente entediar-se oito horas por dia? Ainda me querem tirar as poucas ligações telefônicas que recebo (veja, quase não as faço: recebo-as). A merda toda é que se trata de gente que não faz picas o dia todo e fiscaliza a vida alheia.
Bem, a minha vida é maior que essas mesquinharias; que enfiem tudo no digníssimo rabo. Mas é foda, uns na Itália e eu em São Paulo a ser currado.
Abril 30, 2008
Início
Vamos lá, joguemos os dados para ver quantas casas cabe-nos andar.
O que leva uma pessoa a escrever um blogue? E como se não bastasse um blogue, o que já soa ridículo às pessoas mais respeitáveis, o que leva alguém a escrever sobre a própria via, a expor-se? Talvez sado-masoquismo social, gente que goste de ser avacalhada pelo alheio, oculto pelas brumas da rede; é como apanhar estando vendado.
É isso que venho propor-vos, leitores: mais um blogue sobre a vida particular. Mas não sobre a minha vida, em particular, mas sobre o absurdo reinante ao redor. Como conseguimos viver e nos manter num mundo tão estranho e hostil, com pessoas que sorriem mil punhais ao invés dos simpáticos dentes mamíferos tão nossos? Por que caralho as pessoas se alienam tanto e ficam por aí, ignorando tudo e todos por uma pseudocultura individualista? Por que gente considerada estúpida e vazia dá certo e nós jazemos na merda absoluta, moral e material?
Essa e outras questões proponho-me a responder através da análise deturpada da realidade à minha, à nossa volta.