Julho 29, 2008...8:25 pm

Uma vez imbecil, sempre imbecil

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Um torcedor de futebol é formado de sangue, suor e estupidez, pura imbecilidade em movimento, a ausência de cérebro em ação. E o comportamento-padrão é transposto para todas as áreas. No trabalho, principalmente no setor público, sempre tem o fodido do setor (contínuo, auxiliar) que se acha o classe-média. Ele quer ser classe média, ele precisa ser classe média. É o classe média wannabe.
Não posso falar muita coisa, pois, além das aulas de xadrez, tenho um emprego cretino em uma grande empresa multinacional, a ██████ & ████, que me obriga a deslocamentos contínuos. Fico boa parte do dia preso no trânsito e observando o comportamento alheio.
Outro dia, parei para almoçar no centro da cidade; deixei o carro no estacionamento e busquei algum restaurante minimamente simpático para almoçar e, passando por uma das ruas de pedestres de São Paulo, vi que havia uma pequena aglomeração. Funcionários de um ente público a Coordenadoria de ██████ e ██████ ██████ impediam a passagem dos outros funcionários que queriam passar, em suma, era um verdadeiro e legítimo piquete.
Aproximei-me de um funcionário emburrado e, como quem não quer nada, indaguei sobre a natureza das manifestações. “São uns baderneiros! Não trabalham e querem aumento”. Os manifestantes, guiados por um homem de camiseta vermelha e megafone na mão, apresentava-se como do sindicato. E falava das perseguições que os dirigentes do órgão promoviam aos sindicalizados e isso e aquilo. Uma hora, começou a falar sobre os terceirizados da limpeza; que era um absurdo um ente estatal terceirizar a limpeza, pois passava um valor à empresa e essa pagava aos funcionários salários de fome, coisa de quatrocentos e tantos reais. Defendia um piso de mil reais aos faxineiros.
Bateram palmas; bati também. Afinal, quem é que vive com quatrocentos reais? É um salário nem de fome, é de miséria total. O funcionário que estava do meu lado não esboçou reação positiva, antes, com um olhar desdenhoso, reprovou o meu gesto. Fiquei, como era de se esperar, indignadíssimo e perguntei-lhe: “O senhor não é a favor de que as pessoas tenham salários decentes, para que possam viver dignamente?”; ele me olhou e disse: “Não acho justo eles terem um piso de mil reais, nossos auxiliares de escritórios ganham quase isso”; “Então eles não têm direito a viver justamente porque fazem um trabalho ‘baixo’?”.
Os olhos do homem injetaram-se: “Não acho justo eles garanharem mil reais. É quase o salário dos auxiliares!”.
A classe média é assim: ao invés de pensarem num aumento geral, sempre querem nivelar por baixo para manter-se por cima. Sem dizer nada, afastei-me, desgostoso. Pelo jeito do fulano, era chefe de repartição, classe média wannabe. Instintivamente, tem um senso mesquinho de conservação, de manter a pífia posição social; se há uma reescalada dos salários mais baixos, logo a ‘gentinha’ estará, financeiramente falando, na sua cola. Um pensamento muito do ordinário e idiota. Esse é o nosso Brasil, gentinha; o Brasil pensa dessa maneira.

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