Julho 23, 2008...12:39 pm

Ranho

Ir aos comentários

Hoje, saía do metrô e algo me incomodava dentro do nariz. Resoluto, enfiei o indicador na narina e, da narina, extraí um nojento ranho. E daí? Ranho é ranho, todo o mundo tem, uns tiram e comem, outros tiram e jogam fora. Já fiz parte do primeiro time, na minha terna infância, atualmente, meu gosto gastronômico é muito mais refinado. A solução, óbvia, era eliminar o corpúsculo imundo. Que fazer? Lembrei-me que não havia trazido lenços de papel. Mal pensei isso, no alto da escadaria do metrô, um senhor distribuia uns panfletos grandes e esticou-me um, dizendo: “Deus te abençoe, meu filho!”; “O senhor também, respondi”; “Bom trabalho”, respondeu o simpático ancião. Olhei para o panfleto e era de uma igreja de crente. No alto, em letras garrafais: “Faz tudo! Cura câncer e Aids! Faz aleijado andar e cego ver!”. Que merda, hem? Pelo menos pude usar o panfleto ridículo para desfazer-me do meu ranho (bem sobre o rosto do pastor, na fotografia) e jogá-lo no primeiro cesto de lixo que não tardou a aparecer. O que foi belo e instrutivo.

Deixe uma resposta