Julho 22, 2008...11:44 am

O drama da menina gordinha

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Outro dia, por motivos de força maior, tive de ir ao shopping Baranganduva, aquele, que se autodenomina o maior da Pangéia Meridional. O shopping, por si, já é um grande circo de mediocridade: gente vazia que preenche sua existência insetívora comprando e torrando os caraminguás mixos que ganham em empregos de merda, em suma, um horror.
Numa das entradas dos shopping, instalaram para os aprendizes de tapir, os “consumidores-mirins”, brinquedos que sitos “politicamente corretos”: uma parede de escalar, uma tirolesa pequena e um treco que assemelha-se a guindantes, onde se prende a criança ali, com elásticos, enquanto ela pula numa cama elástica. Ou seja, um simulador de bola de pingue-pongue.
Pois bem, é justamente neste último brinquedo que aconteceu o fato ridículo: as crianças, para usá-lo, além de ter as devidas credenciais monetárias, devem ter um teto de idade máximo que, se não me engano agora na manhã desta terça, era de dez anos, o que presume que a criança tem uma altura xis e um peso xis. Porém, foi parar no brinquedo uma menina gordinha, bem redonda e cheia já de estrias, um digno projeto de canhão. Os monitores (agora chamam a esses por outro nome… promotores ou gerenciadores de lazer, alguma palavra escrementícia do gênero) amarraram a menina na parafernália elástica e mandaram-na pular. A menina começou a saltar, mas, por causa do seu peso, não ia mais do que se pulasse sem nada; nem os elásticos amarrados a ela e a ponta das hastes do aparelho conseguiam erguê-la, enquanto que, do lado, um menino normal, erguia-se no ar e dava cambalhotas. A menina gorducha começou a chorar horrivelmente, como só crianças gordas e mimadas conseguem fazer e só parou quando a mãe, como prêmio de consolação, deu-lhe um sundae do McBonalds.

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