Maio 13, 2008...5:02 pm

Isabela

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Não conheço Jesus. Se o conhecesse, juro que já teria pedido para que ele recussitasse a menina Isabela, essa que jogaram de uma janela. Muito bem, é claro que eu tenho coração, não sou nenhum tipo de monstro que se esconde atrás de textos desgraçados. Infelizmente, sou gente também. Penso no sofrimento da família, no que sofreu a coitada da menina. Agora, não agüento mais ouvir a imprensa repetir a mesma coisa milhões de vezes, a imprensa que está “acompanhando” (1) as investigações.
E as pessoas que ficam de plantão na porta das delegacias, gritando histericamente? Que puta-que-pariu é essa? Cadê a polícia para mandar essa gente histérica para casa? A desgraça dos outros não interessa para quem não tem a ver com o peixe. Gostaria muito – leia-se muito, mas muito mesmo! – que o caso Isabela corresse em segredo de justiça, Mas parece que à polícia tem-lhe agradado o furdunço: ficam divulgando endereços, locais de transferência do pai e da madrasta.
“Informação”, vocês me dirão. De coisa boa ninguém quer saber. A dívida externa foi saudada; quando soube disso, morri de vontade de comprar uns rojões. Eis uma notícia boa. Agora não, vem a imprensa que não passa um dia sem falar nessa droga de caso! Notícia boa não vende. Façamos um teste: uma criança ajuda uma velhinha a atravessar a rua. Oh, que bonitinho! Ninguém viu. Agora, se um ônibus pegar os dois, pelo menos o rádio dará uma breve linha. Se um caminhão-tanque pleno de gasolina vier e bater no ônibus, já temos o Datena e seu maldito helicóptero em cima.
É nessas horas que eu grito, para o Jesus que eu não conheço: “Jesus, manda essa turma pròs quintos dos infernos!”.

(1) “acompanhar” é sinônimo de “atrapalhar”? Pois parece…

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