Julho 23, 2008
Hoje, saía do metrô e algo me incomodava dentro do nariz. Resoluto, enfiei o indicador na narina e, da narina, extraí um nojento ranho. E daí? Ranho é ranho, todo o mundo tem, uns tiram e comem, outros tiram e jogam fora. Já fiz parte do primeiro time, na minha terna infância, atualmente, meu gosto gastronômico é muito mais refinado. A solução, óbvia, era eliminar o corpúsculo imundo. Que fazer? Lembrei-me que não havia trazido lenços de papel. Mal pensei isso, no alto da escadaria do metrô, um senhor distribuia uns panfletos grandes e esticou-me um, dizendo: “Deus te abençoe, meu filho!”; “O senhor também, respondi”; “Bom trabalho”, respondeu o simpático ancião. Olhei para o panfleto e era de uma igreja de crente. No alto, em letras garrafais: “Faz tudo! Cura câncer e Aids! Faz aleijado andar e cego ver!”. Que merda, hem? Pelo menos pude usar o panfleto ridículo para desfazer-me do meu ranho (bem sobre o rosto do pastor, na fotografia) e jogá-lo no primeiro cesto de lixo que não tardou a aparecer. O que foi belo e instrutivo.
Julho 22, 2008

Outro dia, por motivos de força maior, tive de ir ao shopping Baranganduva, aquele, que se autodenomina o maior da Pangéia Meridional. O shopping, por si, já é um grande circo de mediocridade: gente vazia que preenche sua existência insetívora comprando e torrando os caraminguás mixos que ganham em empregos de merda, em suma, um horror.
Numa das entradas dos shopping, instalaram para os aprendizes de tapir, os “consumidores-mirins”, brinquedos que sitos “politicamente corretos”: uma parede de escalar, uma tirolesa pequena e um treco que assemelha-se a guindantes, onde se prende a criança ali, com elásticos, enquanto ela pula numa cama elástica. Ou seja, um simulador de bola de pingue-pongue.
Pois bem, é justamente neste último brinquedo que aconteceu o fato ridículo: as crianças, para usá-lo, além de ter as devidas credenciais monetárias, devem ter um teto de idade máximo que, se não me engano agora na manhã desta terça, era de dez anos, o que presume que a criança tem uma altura xis e um peso xis. Porém, foi parar no brinquedo uma menina gordinha, bem redonda e cheia já de estrias, um digno projeto de canhão. Os monitores (agora chamam a esses por outro nome… promotores ou gerenciadores de lazer, alguma palavra escrementícia do gênero) amarraram a menina na parafernália elástica e mandaram-na pular. A menina começou a saltar, mas, por causa do seu peso, não ia mais do que se pulasse sem nada; nem os elásticos amarrados a ela e a ponta das hastes do aparelho conseguiam erguê-la, enquanto que, do lado, um menino normal, erguia-se no ar e dava cambalhotas. A menina gorducha começou a chorar horrivelmente, como só crianças gordas e mimadas conseguem fazer e só parou quando a mãe, como prêmio de consolação, deu-lhe um sundae do McBonalds.
Julho 10, 2008
É triste que nós, as mulheres feias, não tenhamos a opção de termos amantes. Geralmente, as escolhidas para ser amantes o são justamente por seus dotes físicos avantajados (peitão siliconado, buça faminta e cu disponível também para a metelança) até de estar dispostas de pôr em prática comportamentos sexuais pouco ortodoxos, fazer um deep throat, mil posições do kamasutra, usar roupinhas sumárias para serem rasgadas. Não que nós feias não estejamos a fim dessas coisas, mas, por falta dos dotes, ficamos de escanteio. Mas quem disse que não somos boas de foda? É dar oportunidade! Às vezes pode ser melhor do que com a bonitinha, que é bonitinha, mas é um saco de batatas na cama. A gente vai, senta em cima e chupa também; libera até o boga, se for necessário para deixar o fudeco amarradaço. Pensem nisso.
Julho 4, 2008
Bem, moro num pardieiro. Um bairro periférico; o problema não é ser longe do Centro, não é estar a no mínimo meia hora de transporte da civilização perceptível. O grande problema é os vizinhos.
A grande afirmação que faço é: o ruim não é ser pobre; afinal, enriquecer ou viver com um mínimo de dignidade financeira nesse país é quase impossível. O problema é ser pobre, cobrir-se de ignorância e ser orgulhoso disso (me vem à mente aquela música infame: “e poder me orgulhar / de ter a consciência que pobre tem seu lugar”).
Os meus vizinhos são a pior escumalha que alguém pode ter como vizinho; são monumentos à inexistência civil e moral. Mas, populachamente falado, eles existem sim, e são muito reais; muito rumorosos.
Tarde de sábado: pôxa, nada mais gostoso do que, depois da comida, dar um cochilo leve. Você pode? Não, porque o animal-de-teta do vizinho está lavando a merda do carro-de-mil-prestações com portas e porta-malas abertos, expondo seu maravilhoso gosto musical para todo o bairro.
Noite de segunda-feira: você chega do trabalho, podre de cansado, trabalhou o dia todo. Tem de ficar andando em zigue-zague, desviando da molecada jogando bola, empinando pipa, andando de bicicleta, se xingando. E como falam palavrões! O mais comum faria uma cafetina corar. Não é o fato das crianças, digo, marmanjos e cavalões, estarem ali, a brincar, mas o de empatar a passagem do outro e da ofensa aos ouvidos. E não pensem que sou um entusiasta workaholic, que acha que todos têm de trabalhar. Ao contrário: trabalho é uma perda de tempo tão grande quanto ficar na rua empinando pipa e fazendo barulho, só que é incontronável.
Manhã e noite de terça-feira: você sai da sua casa antes do sol. Lá está, pendurada na grade, a dona Marocas do local, fofoqueira de plantão e emérita. Você já sai de mau-humor; volta, catorze horas depois, quando o sol já está dormindo há muito, e quem está lá, quase no mesmo lugar? A porra da velha! A lazarenta miserável ficou ali o dia todo: você literalmente se fode, é enrabado pelo chefe e ainda tem de fazer um boquete no gerente-geral, com mil coisas melhores para fazer e para pensar, a filha-da-puta ali, jogando a vida fora a prestar atenção na vida alheia. Dá vontade de gritar: vai tomar no olho do seu cu, sua vaca!
Julho 4, 2008
Dizem que o brasileiro é um povo libertino e licencioso, que às moçoilas apraz-lhe fazer amor atrás de muros, barrancos, cemitérios e sempre estão afim de uma trepadinha sem compromisso; que chupam, liberam a rabeta e são chegadas no ménage à trois. E eu me pergunto, sendo brasileiro e potencialmente libertino: onde se esconde essa gente, que não a acho? Provavelmente fornicando às escondidas!
Junho 11, 2008
Nunca gostei de gente palpiteira. E, ao que parece, em análise constrastiva, o que mais há. Sempre tem alguém para te dar “uma opinião amiga”. Ajudar, ninguém ajuda; agora, conselho furado, putz, o povo tem aos milhares e milheiros nos bolsos. Conselho, se fosse, bom, a gente não dava: vendia.
E o pior tipo de conselho que pode chegar a você, é o que realmente tem a intenção de que o aconselhado mude algum comportamento. Costuma vir muito de amigos, amigos que têm, inclusive, uma certa intimidade. É aí que mora o problema: a pessoa se julga tão íntima sua, que o conselho vem com valor prescritivo e de regulamentação normativa. Ou seja, ele tem de ser adotado.
Aí, você se esquenta, fala pra pessoa maneirar, que você não está gostando de tanta intromissão. Você só está defendendo, digamos, o seu direito ao livre pensamento, afinal, cada pessoa pensa de uma maneira e tem autonomia. Por isso que cada um tem um cérebro; se não o usássemos, poderia ser um cérebro coletivo, para cada dez ou doze. Então, voltando, você simplesmente dá um toque, na boa, afinal, a pessoa é sua amiga, vocês tem uma afinidade. Não dá. A pessoa já se ofendeu, acha que a coisa é estritamente pessoal e pára de falar com você.
É foda, né?
Junho 11, 2008
Sobre o uso de trinta reais para a ver a exposição do Star Wars, faltou um uso alternativo. É notório que Star Wars é coisa de nerd punheteiro. Então, meu irmão, tira a mão do pau, põe no bolso e, com os trinta caraminguás, pague uma puta barata. Ela pode ser feia e baianinha, mas, pelo menos, é buceta de verdade.
Junho 11, 2008
Enquanto o imbecil que vos escreve continua a ser moralmente sodomizado, mas um de seus amigos pega a mala vai “dar um giro” pela Europa. Eu, nem pra lavar pratos consigo ir até Sorocaba, que dirá a Europa! Nesse segundo desfalque do meu quadro de amizades, o que me deixa menos amargurado é que, pelo menos, trata-se de alguém que aproveitará muito bem a viagem, que tem um arcabouço cultural imenso e uma visão de mundo totalmente diferente da preconizada pela classe mérdia.
Então, nesse caso, a inveja converte-se num “boa viagem”.
Maio 26, 2008
Embora a Didática prescreva (sim, prescreve sim) que não há pessoa incapaz de aprender e que a afirmação que “dei aula, mas o aluno não aprendeu” é praticamente impossível do ponto de vista pedagógico, eu digo, afirmo e berro: tem gente que não consegue aprender nada. Há gente que insiste em cursar a escola, fazer cursos de idioma: saem tão lisos quanto entram, não conseguem reter uma vírgula, por mais que o professor se esforce. Bem, digamos que há professores execráveis, que eu os colocaria para limpar êmbolos numa oficina mecânica, mas, o alunato cresce em estultos e imbecis. Deveriam criar porcos ou plantar alface, atividade que requer um grau de concentração menor (não que não requeira). Esse é o problema da democracia de fachada: todo mundo acha que pode tudo. Deveria dar mais atenção aos apelos intestinos. Se não está andando, caia fora e não entupa seu professor - do que quer que seja - de perguntas sem pé nem cabeça.
Maio 26, 2008
A mediocridade é insuportável. Exceto a minha.