Ficaste indignado com o castelo do deputado mineiro? Aquele, que vale não sei lá quantos porrilhões de reais? Pois é, meu amigo, é foda. Você paga aí, os seus centavuchos e caraminguás para um filho da puta fazer um castelo. E um castelo feio, feio pra caralho, bem coisa de arrivé mesmo, de novo rico: o cafona com dinheiro. Essa sua conversa também de “hã… eu pago meus impostos”… meu amigo, vá se foder. Não adianta só pagar o seu imposto. Você acha que ser cidadão de um país é uma função tercerizável? Não adianta só pagar, corno. Tem de agir e saber fiscalizar. Agora eu pergunto: você votaria num deputado que, notoriamente é ladrão, como o elemento do castelo? Pois ele se elegeu, não é? Sabia que o IPTU daquela merda é metade do IPTU recolhido pelo vilarejo fédito onde se localiza. Ah, perdão, não exatamente: é que o primo do deputado é prefeito da cidade e toda sua família pulguenta já sujou a cadeira do prefeito com a sua bunda esmerdeada. O castelo tem mais de vinte anos. Vinte anos! E como ninguém percebeu que tinha algo errado ali, caralho? Tudo bem eu, que estou há mais de mil quilômetros daquela coisa horrorosa: parece o castelo da Barbie do Terceiro Mundo mesmo. Vinte anos e ninguém na cidade de merda descobriu que o deputado sonegava todo o imposto. O mais curioso é que só descobriram a treta quando o infeliz assumiu a corregedoria da Câmara. Santo Deus, é o país da piada pronta! A Corregedoria é o órgão nos quais os parlamentares regulam-se. Puseram a raposa para tomar conta do galinheiro. E pior, outra raposa maior não gostou da história: por isso que esse castelo veio à tona. Pense, amigo: você vota em gente como ele? Por que você não enfia o seu voto no rabo antes de fazer uma cagada desse tamanho?
Julho 29, 2008
Uma vez imbecil, sempre imbecil
Um torcedor de futebol é formado de sangue, suor e estupidez, pura imbecilidade em movimento, a ausência de cérebro em ação. E o comportamento-padrão é transposto para todas as áreas. No trabalho, principalmente no setor público, sempre tem o fodido do setor (contínuo, auxiliar) que se acha o classe-média. Ele quer ser classe média, ele precisa ser classe média. É o classe média wannabe.
Não posso falar muita coisa, pois, além das aulas de xadrez, tenho um emprego cretino em uma grande empresa multinacional, a ██████ & ████, que me obriga a deslocamentos contínuos. Fico boa parte do dia preso no trânsito e observando o comportamento alheio.
Outro dia, parei para almoçar no centro da cidade; deixei o carro no estacionamento e busquei algum restaurante minimamente simpático para almoçar e, passando por uma das ruas de pedestres de São Paulo, vi que havia uma pequena aglomeração. Funcionários de um ente público a Coordenadoria de ██████ e ██████ ██████ impediam a passagem dos outros funcionários que queriam passar, em suma, era um verdadeiro e legítimo piquete.
Aproximei-me de um funcionário emburrado e, como quem não quer nada, indaguei sobre a natureza das manifestações. “São uns baderneiros! Não trabalham e querem aumento”. Os manifestantes, guiados por um homem de camiseta vermelha e megafone na mão, apresentava-se como do sindicato. E falava das perseguições que os dirigentes do órgão promoviam aos sindicalizados e isso e aquilo. Uma hora, começou a falar sobre os terceirizados da limpeza; que era um absurdo um ente estatal terceirizar a limpeza, pois passava um valor à empresa e essa pagava aos funcionários salários de fome, coisa de quatrocentos e tantos reais. Defendia um piso de mil reais aos faxineiros.
Bateram palmas; bati também. Afinal, quem é que vive com quatrocentos reais? É um salário nem de fome, é de miséria total. O funcionário que estava do meu lado não esboçou reação positiva, antes, com um olhar desdenhoso, reprovou o meu gesto. Fiquei, como era de se esperar, indignadíssimo e perguntei-lhe: “O senhor não é a favor de que as pessoas tenham salários decentes, para que possam viver dignamente?”; ele me olhou e disse: “Não acho justo eles terem um piso de mil reais, nossos auxiliares de escritórios ganham quase isso”; “Então eles não têm direito a viver justamente porque fazem um trabalho ‘baixo’?”.
Os olhos do homem injetaram-se: “Não acho justo eles garanharem mil reais. É quase o salário dos auxiliares!”.
A classe média é assim: ao invés de pensarem num aumento geral, sempre querem nivelar por baixo para manter-se por cima. Sem dizer nada, afastei-me, desgostoso. Pelo jeito do fulano, era chefe de repartição, classe média wannabe. Instintivamente, tem um senso mesquinho de conservação, de manter a pífia posição social; se há uma reescalada dos salários mais baixos, logo a ‘gentinha’ estará, financeiramente falando, na sua cola. Um pensamento muito do ordinário e idiota. Esse é o nosso Brasil, gentinha; o Brasil pensa dessa maneira.
Julho 28, 2008
Eu não sou fodão
Além do tradicional vomitório que cá escrevo, tenho também as minhas veleidades literárias. Mas nem por tal, subo num caixote e, de cima desse coloco-me como autoridade. Estilo de escrita é como cu, cada um tem o seu e não se fala nisso. Você quer clarear o cu, fazer um ass-cleaning? Faz, pô. Quer depilá-lo? Depile. Só não me diga que eu tenho de fazer o mesmo. A maioria dos candidatos a literatos têm aquela habitual cara de cheira-peido, ainda mais quando são tratados por autoridade; eles dizem que já leram muita coisa e isso lhes dá autoridade para fazer um julgamento. O meu cu! Escrever é um processo de simbiose: você cria coisas, você funde estilos, você lê e retoma idéias, isso é fazer literatura ou algo que o valha. Agora, vem um boçal, um come-livros, dizendo que você tem de fazer isso ou aquilo, faça-me o favor. E essa gente é profundamente esnoba, esnoba textos que consideram, dentro do seu estreito ver, inferiores. E ai se você tiver a petulância de discordar de um deles! Fazem a cara de cheira-peido e tentarão provar que você está errado.
Julho 25, 2008
Sobre a sexualidade alheia
Nossa colaboradora ██████ pede a inclusão nas Notas de um curioso comportamento de seu namorado.
“Podemos dizer que, apesar da merda que é o mundo, somos pessoas felizes; não felizes dessas que só o são se contemplam no horizonte comprar um carro a mil parcelas ou ter um emprego bom. Somos felizes juntos. Trabalho no Tribunal de Justiça e ele é redator no jornal “██████”. Ele é um rapaz espirituoso e, o mais importante, com tudo em cima, como toda mulher sonha: bíceps para apalpar, peitoral para apoiar a cabeça, pernões grossos e, hum… outras coisinhas mais, bem mais. Só que tem um pequeno probleminha, é muito tímido fora do quarto, principalmente quando o assunto é farmácia.
Somos pessoas precavidas e, por essa natureza nossa, o sexo sem preservativo é impensável. Não exatamente por causa de doenças venéreas, pois meu queridinho é um modelo de fidelidade e, Deus me queime se alguma vez pus isso em prova! Mas fazemos uso da dita camisa-de-vênus para evitar possível coisas horrendas e medonhas que podem crescer no ventre, como pequenos fetos, originados por uma coisa selvagem e odiosa que se chama concepção. Concepção, só para que fique bem claro, trata-se de um processo que origina um pequeno câncer; o tumor cresce durante nove meses – o que causa enjôos e incômodos – e é expelido pelo corpo numa horrenda dilatação vaginal (quando não é necessário procedimento cirúrgico dito cesariana); como se não bastasse, o tumor tem vida própria e pode sobreviver no mundo extra-uterino, virando uma pessoa.
Mas, voltando – sou muito prolixa, vocês me perdõem – usamos as populares camisinhas para evitar esse horroroso contratempo. E, como toda mulher que se preze, deixa ao camarada que vá à farmácia adquirir tais bens. Afinal, é o pau dele que vai ficar ali, enforcado; é melhor que ele escolha o modelo e tamanho mais apropriado e desenvolva um senso de marca e consiga fazer uma associação marca/conforto. É meio pavloviano, mas funciona.
E eis que meu queridão, apesar de atlético e avantajado, é, como já disse, um pouco tímido. Entra na farmácia para comprar os malditos preservativos, falta ficar roxo; um homem de quase dois metros, parrudo, que fica roxo. Primeiro, põe-se a rodar pela farmácia, olhando coisas aleatórias; depois, localizada a gôndola das camisinhas, começa lentamente a aproximar-se e ver se tem o modelo procurado. Tendo-o localizado visualmente, vai resoluto, pega-o e nunca sai da farmácia sem uns outros dois ou três itens para disfarçar. E passa pelo caixa ardendo em brasas, que nem olha para a cara do caixa; muito menos para a tela do caixa, que exibe em letras garrafais o item que está sendo comprado “Preserv. █████ c/ 6 un.”. Pega a sua sacolinha, enfia o troco no bolso e sai pisando duro, sem olhar para trás.
Ótimo. Apesar dos horrores, ele conseguiu, ele sempre consegue. O ruim é transar com ele no mesmo dia, e já lhes explico por que. Geralmente ele chega em casa, e larga a sacola com todos os itens em algum ponto aleatório do quatro, o famoso método caiu-ficou. Mais à noite, chego eu, trago uns filmes. Aí, pedimos uma pizza e ele começa a insinuar-se; bem, digamos que eu tenho minha parte de culpa, pois vou com roupas que escolho a dedo: justeza, decote ou mesmo adoto o visual camisola-e-calcinha quando vou com o intuito primeiro do ataque (ou melhor, de ser atacada); e, digamos, não sou de jogar-se fora, tenho umas curvinhas até que generosas.
Logo o filme cai no esquecimento, a meia-pizza restante esfria e nós esquentamos: começa o bole-bole, o roça-roça, o pega-pega, o chupa-chupa, tudo aquilo que vocês já conhecem. Aí quando o negócio está fervendo, o meu Hércules pega-me no colo, leva-me ao quarto e arrancamo-nos o que sobrou da roupa. Quando eu já estou ofengando, esperando o pior (ou o melhor), ele sempre se lembra de pegar a bendita, por sorte. Mas não são raras as vezes que, além do preservativo acondicionado na sua bela embalagem quadrada que lhe é mui particular, vem junto a sacola toda. Não é menos raro que, procurando o que interessa dentro da sacola, tira antes uma caixa de pastilhas para garganta e diz: “Olha, bem, vou deixar com você, caso você precise…”. O quê? Pois é, é assim. Ou que seja um enxaguante bucal, fio-dental, analgésico. E é algo que quebra o clima, parece que ele está me chamando de doente!
Da última vez, ele começou novamente com o elenco: manteiga de cacau, soro nasal e umas balinhas de menta. E isso comigo na sua frente, de pernas para o ar, e a minha queridinha, ali, no aguardo, babando; deu até uma esfriada. Irritei-me. Pus-me rapidamente sentada, puxei-o pelo pescoço – ele automaticamente largou a sacola – e eu lhe disse: “Larga essa merda de sacola, põe a touca nesse negócio e fode, pelo amor de Deus!”, e puxei-o para junto de mim sem dar-lhe tempo para pensar.
A coisa terminou por rolar um pouco estranha; estou com receio de tê-lo assustado, mas, putz!, estava irritante. Você lá, babosa e sedenta, a estação espacial esperando a acoplagem da Sojuz e, de repente, a lista de compras da farmácia?!
Acho que eu mesma manterei o estoque de camisinhas em dia, chega disso!”
Julho 24, 2008
Ao redor, o pântano
A vida na cidade é enervante. Congestionamentos, acidentes, gente por todos os lados e todos os males que advêm desses fatos. A vida na província, sem dúvida, é bem melhor. Bem, sim e não.
Nos últimos tempos, todos os sábados, tenho ido à vila de ██████, nas cercanias da Capital, mas já fora da região metropolitana. Embora a vila tenha a fama turística, não vou lá para o turismo semanal, para o qual, prerifo meus lençóis, senão, por motivo laborais, e como dizem por aí, se trabalho fosse bom, não teria o termo que o designa derivado de um instrumento de tortura. Em ██████, leciono técnicas de Xadrez. Por que, um professor da capital tem de sair de sua casa, andar umas boas dezenas de quilômetros para ensinar Xadrez? Talvez os meus quatro anos na Faculdade de Jogos de Tabuleiro e meu Bacharelado em Xadrez digam algo.
Certo dia, voltava para casa do trabalho, sufocado dentro do ônibus, quando, de repente, ao passar diante da Igreja da Consolação, toca-me o celular. Atendo. É a diretora da Escola Jesuíta de Jogos de Tabuleiro de ██████. Começa a falar que precisa urgentemente de um professor de Xadrez, se eu, tendo feito Faculdade não poderia indicar alguém – ela chegou a mim indicada por um colega da Faculdade, membro numerário da Focus Dei. Caí na asneira imensa de oferecer-me. ██████ não me parecia tão longe e tanto falam dela, que é um lugar aprazível e coisa e tal. Até mesmo um ex-presidente da República tem lá uma chácara. Topei.
Algumas semanas indo e vindo, descobri o óbvio: ██████ é uma espécie de feudo que se quer progressista. Uma família manda em tudo e tiram no palitinho quem será o prefeito na próxima rodada de oito anos. É a família dos ██████, hispano-descendentes.
Eles que conseguiram, em troca de favores políticos elevar a vila faminta à categoria de “Estância Turística”. E é um turismo de dar pena: de fim de semana, de farofeiros; a cidade empesteou-se de pousadas cheias de baratas e pesqueiros criadouros de larvas. Um turismo pafúncio e mequetrefe.
E os nossos queridos senhores feudais, os ██████, representados pelo grão-senhor ██████ ██████, atual prefeito, tratam todos como se realmente fossem seus feudatários. Tenho a infelicidade de ter um ██████ em minha sala de xadrez. Têm dinheiro, têm poder. Mas dinheiro não compra nem cultura e nem inteligência. É o tipo de gente mais chã e labrega que já vi. O menino ao qual ensino xadrez é o exemplo de imbecilidade; eu diria mesmo que se trata de um débil mental, incapaz de aprender os movimentos básicos do gamão. Duvido que saiba escrever o próprio nome. Segundo ele mesmo diz, já largou o curso de damas. Penso que, no futuro, ele seja prefeito de ██████. Podem ser espertos, mas são uns ignorantes. Agora, esse pedaço de asno nem esperto é. Enquanto minhas mãos movem-se sobre o tabuleiro, explicando aos alunos os movimentos básicos, ele olha, de boca aberta, mas como se olhasse através do tabuleiro. Assim que termino de explicar, ele vem, com a sua entonação irritante e diz: “Não entendi nada, professor; o senhor pode ser mais objetivo?”. Se não fosse tão bem remunerado, já teria partido o tabuleiro em sua cabeça.
É graças a gente como esse menino e sua família que em ██████ só haverá repolhos, pousadas fedorentas e pesqueiros infectos.
Julho 23, 2008
Ranho
Hoje, saía do metrô e algo me incomodava dentro do nariz. Resoluto, enfiei o indicador na narina e, da narina, extraí um nojento ranho. E daí? Ranho é ranho, todo o mundo tem, uns tiram e comem, outros tiram e jogam fora. Já fiz parte do primeiro time, na minha terna infância, atualmente, meu gosto gastronômico é muito mais refinado. A solução, óbvia, era eliminar o corpúsculo imundo. Que fazer? Lembrei-me que não havia trazido lenços de papel. Mal pensei isso, no alto da escadaria do metrô, um senhor distribuia uns panfletos grandes e esticou-me um, dizendo: “Deus te abençoe, meu filho!”; “O senhor também, respondi”; “Bom trabalho”, respondeu o simpático ancião. Olhei para o panfleto e era de uma igreja de crente. No alto, em letras garrafais: “Faz tudo! Cura câncer e Aids! Faz aleijado andar e cego ver!”. Que merda, hem? Pelo menos pude usar o panfleto ridículo para desfazer-me do meu ranho (bem sobre o rosto do pastor, na fotografia) e jogá-lo no primeiro cesto de lixo que não tardou a aparecer. O que foi belo e instrutivo.
Julho 22, 2008
O drama da menina gordinha
Outro dia, por motivos de força maior, tive de ir ao shopping Baranganduva, aquele, que se autodenomina o maior da Pangéia Meridional. O shopping, por si, já é um grande circo de mediocridade: gente vazia que preenche sua existência insetívora comprando e torrando os caraminguás mixos que ganham em empregos de merda, em suma, um horror.
Numa das entradas dos shopping, instalaram para os aprendizes de tapir, os “consumidores-mirins”, brinquedos que sitos “politicamente corretos”: uma parede de escalar, uma tirolesa pequena e um treco que assemelha-se a guindantes, onde se prende a criança ali, com elásticos, enquanto ela pula numa cama elástica. Ou seja, um simulador de bola de pingue-pongue.
Pois bem, é justamente neste último brinquedo que aconteceu o fato ridículo: as crianças, para usá-lo, além de ter as devidas credenciais monetárias, devem ter um teto de idade máximo que, se não me engano agora na manhã desta terça, era de dez anos, o que presume que a criança tem uma altura xis e um peso xis. Porém, foi parar no brinquedo uma menina gordinha, bem redonda e cheia já de estrias, um digno projeto de canhão. Os monitores (agora chamam a esses por outro nome… promotores ou gerenciadores de lazer, alguma palavra escrementícia do gênero) amarraram a menina na parafernália elástica e mandaram-na pular. A menina começou a saltar, mas, por causa do seu peso, não ia mais do que se pulasse sem nada; nem os elásticos amarrados a ela e a ponta das hastes do aparelho conseguiam erguê-la, enquanto que, do lado, um menino normal, erguia-se no ar e dava cambalhotas. A menina gorducha começou a chorar horrivelmente, como só crianças gordas e mimadas conseguem fazer e só parou quando a mãe, como prêmio de consolação, deu-lhe um sundae do McBonalds.
Julho 10, 2008
Indignação
É triste que nós, as mulheres feias, não tenhamos a opção de termos amantes. Geralmente, as escolhidas para ser amantes o são justamente por seus dotes físicos avantajados (peitão siliconado, buça faminta e cu disponível também para a metelança) até de estar dispostas de pôr em prática comportamentos sexuais pouco ortodoxos, fazer um deep throat, mil posições do kamasutra, usar roupinhas sumárias para serem rasgadas. Não que nós feias não estejamos a fim dessas coisas, mas, por falta dos dotes, ficamos de escanteio. Mas quem disse que não somos boas de foda? É dar oportunidade! Às vezes pode ser melhor do que com a bonitinha, que é bonitinha, mas é um saco de batatas na cama. A gente vai, senta em cima e chupa também; libera até o boga, se for necessário para deixar o fudeco amarradaço. Pensem nisso.
Julho 4, 2008
Vizinhos
Bem, moro num pardieiro. Um bairro periférico; o problema não é ser longe do Centro, não é estar a no mínimo meia hora de transporte da civilização perceptível. O grande problema é os vizinhos.
A grande afirmação que faço é: o ruim não é ser pobre; afinal, enriquecer ou viver com um mínimo de dignidade financeira nesse país é quase impossível. O problema é ser pobre, cobrir-se de ignorância e ser orgulhoso disso (me vem à mente aquela música infame: “e poder me orgulhar / de ter a consciência que pobre tem seu lugar”).
Os meus vizinhos são a pior escumalha que alguém pode ter como vizinho; são monumentos à inexistência civil e moral. Mas, populachamente falado, eles existem sim, e são muito reais; muito rumorosos.
Tarde de sábado: pôxa, nada mais gostoso do que, depois da comida, dar um cochilo leve. Você pode? Não, porque o animal-de-teta do vizinho está lavando a merda do carro-de-mil-prestações com portas e porta-malas abertos, expondo seu maravilhoso gosto musical para todo o bairro.
Noite de segunda-feira: você chega do trabalho, podre de cansado, trabalhou o dia todo. Tem de ficar andando em zigue-zague, desviando da molecada jogando bola, empinando pipa, andando de bicicleta, se xingando. E como falam palavrões! O mais comum faria uma cafetina corar. Não é o fato das crianças, digo, marmanjos e cavalões, estarem ali, a brincar, mas o de empatar a passagem do outro e da ofensa aos ouvidos. E não pensem que sou um entusiasta workaholic, que acha que todos têm de trabalhar. Ao contrário: trabalho é uma perda de tempo tão grande quanto ficar na rua empinando pipa e fazendo barulho, só que é incontronável.
Manhã e noite de terça-feira: você sai da sua casa antes do sol. Lá está, pendurada na grade, a dona Marocas do local, fofoqueira de plantão e emérita. Você já sai de mau-humor; volta, catorze horas depois, quando o sol já está dormindo há muito, e quem está lá, quase no mesmo lugar? A porra da velha! A lazarenta miserável ficou ali o dia todo: você literalmente se fode, é enrabado pelo chefe e ainda tem de fazer um boquete no gerente-geral, com mil coisas melhores para fazer e para pensar, a filha-da-puta ali, jogando a vida fora a prestar atenção na vida alheia. Dá vontade de gritar: vai tomar no olho do seu cu, sua vaca!
Julho 4, 2008
Considerações acerca da nacionalidade
Dizem que o brasileiro é um povo libertino e licencioso, que às moçoilas apraz-lhe fazer amor atrás de muros, barrancos, cemitérios e sempre estão afim de uma trepadinha sem compromisso; que chupam, liberam a rabeta e são chegadas no ménage à trois. E eu me pergunto, sendo brasileiro e potencialmente libertino: onde se esconde essa gente, que não a acho? Provavelmente fornicando às escondidas!





